Esta não é mais uma daquelas cartas escritas à mão num papel escolhido com cuidado. Esta é uma carta diferente, mas tem o direito de ser guardada juntamente com todas as outras que te escrevi, isto se as tiveres ainda guardadas. Esta é diferente, mas merece ser relida tempos a tempos, como fazias com as outras tantas que te escrevi, como espero que ainda o faças quando sentes a minha falta, se é que ainda sentes.
Desde que me deixaste já te escrevi inúmeras vezes, em papel, papeis esses que deixei acumular no baldinho do meu quarto, amarrotados. Faltava-me sempre a coragem de prender as minhas palavras magoadas num envelope, tinha medo de que quando elas chegassem até ti estivessem mortas pelo sufoco e angustia, mortas por não terem chegado a tempo até ti. Perdoa-me pelas palavras que nunca te disse, perdoa-me por não ter lutado mais por ti, mas fizeste-me acreditar que já não te importavas, fizeste-me chorar o tanto que me fizeste sorrir durante mais de 15 anos e isso, fez com que desistisse.
Nunca nada estava totalmente bom para ti, talvez achasses sempre que merecias mais de mim, mas nunca foste capaz de perceber de que de mim terias o mundo, o sol e a lua, e tudo mais o que quisesses. Talvez tivesse sido esse o meu problema, sempre te dei coisas grandes, de grande valor, normal que depois disso não valorizasses mais coisas simples nem pequenas. Foi um erro meu, mas foi por amor, e para mim continua a ser verdadeiro, fora isso eu não estaria disposta a lutar por ti, nem pela amizade que prometemos não destruir.
Perdoa-me pelas falhas que assumo em nome das duas, perdoa-me, não peço para que te esqueças, só que me perdoes e que me devolvas aquilo que era nosso, que te voltes a importar com a aquilo que sempre prometemos ser, que me devolvas quem tu eras.