quarta-feira, 14 de novembro de 2012

foi um sufoco, um tiro na alma

   Fiquei calada. Não gritei, não chorei, não berrei, não bati os pés, não disse absolutamente nada. Ouvir o teu nome corroeu-me por dentro, formou-se-me um nó na garganta e senti-me como se esse nó me estivesse a sufocar. Mas ainda assim, fiquei calada, na minha, quieta. Não adianta querer falar daquilo que nós magoa, se no fundo sabemos perfeitamente que não irá adiantar nada.
   Não tinhas o direito de partir assim, muito menos de arrancar parte daquilo que eu era e de levar junto contigo. Eras a minha melhor amiga, tinhas-me prometido o mundo e acabei sem nada, sozinha. Contudo, só quero que saibas que ainda guardo todo o nosso passado, e que dificilmente chegará o dia em que simplesmente o apague.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

uma espécie de visita

   Estamos juntos. Perto ou longe, tanto faz, continuamos juntos. Sinto a tua presença, sinto o teu toque, sinto-te a ti. Sinto a tua alma perto da minha. Sinto-te dentro do meu peito e da minha mente, pois para onde quer que eu olhe, tudo me faz pensar em ti e no quanto te amo e te quero perto. Hoje pensei em ti quase o dia todo, era como se estivesses aqui a meu lado, era como se a tua alma estivesse lado a lado com a minha, fazendo uma espécie de visita. Era tão intensa a forma como dominavas os meus pensamentos que até deixei escapar um sorriso, daqueles, patéticos. Acho que para além da minha mente, o meu coração também te percebeu, começou a acelerar tão rapidamente, que pensei que fosse sair do meu peito em direcção aos teus braços. Agora sei o porquê de mesmo de tão longe, te sentir aqui, a segurar a minha mão. Mesmo de longe dos meus olhos, continuas perto do meu coração. 
   Aliás, está dentro dele.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

malditas mudanças de tempo

    Sinto-me febril, o meu corpo não reage aos impulsos e a minha única vontade é manter-me debaixo dos cobertores e ficar assim, o resto da noite. Sabia-me bem uma caneca de leite com chocolate, não a ferver, mas o bastante quente para que me aquece-se também, sinto a temperatura do corpo a descer e apesar dos dois pares de meias calçados, tenho os pés gelados, a combinar com o resto do corpo. Definitivamente, odeio estas mudanças de tempo. Não é muito normal eu ficar engripada, à excepção das minhas alergias que se tornam cada vez mais constantes, mas ultimamente a minha garganta tem reagido mal ao frio e o facto é que não me tenho agasalhado o suficiente.
   Dói-me a cabeça de ter passado o dia inteiro a tossir e a minha voz está rouca,  gasta, cansada. Ao meu lado tenho carradas de lenços de papel amontoados e o meu livro de cabeceira aberto. Acho que vou marcar a página e fechá-lo. Preciso de descansar, amanhã também é dia.

sinto falta, confesso

    Tenho que pedir desculpas a mim mesma por ter começado a escrever isto agora. Mas é que no fundo, por mais que eu tenha passado tanto tempo com medo de confessar, eu sinto falta. Não de nós, mas do que eu achava que éramos e do que eu achava que ainda viríamos a ser. Às vezes dou por mim a lembrar-me de tudo e a conformar-me com o facto de que poderia ter sido verdade. Poderia, não poderia? Nós podíamos ter sido felizes como eu era enquanto tapava os olhos à realidade. Podíamos ter tido aquela história linda que todas as melhores amigas sonhavam ter. Aquelas palavras como “para sempre” poderiam realmente ter sido. 
   Mas com isto não penses que eu ainda sinto alguma coisa. Acontece que é exactamente isso que me revolta, saber que eu nunca mais vou conseguir sentir. Saber que eu nunca mais vou conseguir acreditar nas mesmas coisas, nem ter aqueles mesmos sonhos. Quem dera ao menos ainda sentir. Pelo menos seria um sinal, um sinal de que não teria sido tão destruída. Mas eu fui. E devo desculpas a mim novamente. Por ter constatado que as melhores coisas da vida não passam de uma ilusão. E que dói acordar de sonhos assim, como era este nosso.

domingo, 11 de novembro de 2012

passagens permanentes, espero

    Ainda tenho aquela sensação de borboletas no estômago, ainda sinto a tua mão dada com a minha e ainda consigo sentir quando os teus lábios tocavam nos meus, apesar de já teres partido. Agora são só sensações, são só lembranças e memórias do dia de hoje, de mais um de tantos que espero que cheguem. No entanto, já tenho saudades. Já sinto falta do teu cheiro, dos teus abraços, e da forma incrível que tens de me fazer sentir única.
   Ainda me pergunto o que teria acontecido se tudo tivesse acontecido de maneira diferente. Mas que se dane aquilo que é certo ou não na cabeça do mundo, para mim, embora tenhas aberto a gaveta dos meus sentimentos assim, sem mais nem menos, sem chave sequer, talvez tenha sido melhor. Não pediste licença e quando dei conta estavas instalado comigo, lá, naquele espacinho, pequeno, mas que serve perfeitamente para nós dois. Tomas conta do espaço como se ele sempre tivesse sido teu e sim, fazes-me sentir uma princesa, daquelas verdadeiras, dos contos de fadas. 
   Quero agradecer-te por tudo, e por nada, e principalmente por não me magoares e por não desistires de mim, nem de nós, apesar de tudo.