segunda-feira, 5 de novembro de 2012

épocas de testes consomem-me, literalmente

   Não estou muito contente, estou um pouco desanimada, desapontada comigo mesma. Tirei a minha primeira negativa por mera estupidez, mesmo. Eu sabia a matéria, o teste correu-me bem, fora o facto de que fui supostamente apanhada com cábulas, nunca me tinha acontecido isto, nunca me aconteceu estar a meio de um teste, chamar a stora, tirar uma duvida e ficar automaticamente sem folha de teste, assim, sem mais nem menos, só porque sim. Supostamente, as ideias que tinha organizado durante o teste, a lápis, foram aceites como cábulas. Fazer cábulas durante um teste, parece-vos bem? Fiquei passada, automaticamente sem saber o que fazer, sem saber como explicar que aquilo não era, definitivamente o que ela estava a pensar. Também, não tive muito tempo para isso, ela não me deu tempo sequer que abrisse a boca para dizer mais nada. Por um lado, sei que não fiz nada de errado, o pior mesmo é aquela negativa que não vai simplesmente evaporar-se. No final da aula, por bom senso, por dever e por descargo de consciência, decidi ir falar com ela mas arrependi-me nesse exacto momento. Não é que não entenda o lado dela, mas de facto ela também não fez esforços para me entender nem para me deixar explicar, nem era deixar-me explicar, era só mesmo tirar um minuto para me ouvir. Falou-me num tom alto, e mais grave que isso, puxou-me a gola que levava ao pescoço, como um género de afronto físico. Detestei. Fiquei possessa, irritada ao mais alto nível e educadamente, recuei e sai da sala, não estava para aguentar aquilo nem tinha que me rebaixar de tal maneira.
   Bem, mas agora só me quero concentrar para o teste de amanhã, História A. Sinceramente estou um pouco receosa, não me sinto preparada e quando estou assim, é a desgraça total, sinto que não vou ser capaz. Mais uma vez tenho quase a certeza de que a minha memória me vai falhar, é sempre assim quando mais preciso dela. Só espero que corra tudo minimamente, do mal o menos. Acho que o melhor mesmo é vestir o pijama, tirar as lentes de contacto e embrulhar-me nas mantas, adormecer e acordar cedinho, tomar um bom banho para despertar e rever a matéria antes de ir para a escola.

por instantes, senti-me especial

   Estou de volta e primeiramente, antes de mais nada, quero agradecer à Emily, menina que ultimamente me tem dado algum apoio e se tem mostrado imensamente disponível para os meus pequenos desabafos, é uma querida e perco-me nas palavras delas, no fundo, entendemos bem as palavras uma da outra e vamos dando, à medida que podemos, força uma à outra através de palavras confortantes, que nos fazem sentir bem a ambas. Juntando a tudo isto, foi ela quem deu a opinião de que este meu cantinho deveria constar no blog da Letis, menina simples, e a precisar de um bocadinho da nossa ajuda também, todas temos a nossas fases menos boas. Por isso, agradeço-te a ti também por me elegeres como o Blog da Semana lá no teu cantinho, não estava nada à espera, foi-me especial. Um beijinho muito grande para as duas.

  
Não deixem se espreitar o blog destas meninas,
Emily em http://ppdaemily.blogspot.pt/ e Letis em http://leva-me-a-lua.blogspot.pt/

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

antes fosse só cansaço

  
   Cansada é um termo leve para me descrever após o decorrer do dia de hoje. Estou exausta, completamente esgotada, foram aproximadamente cinco horas de esforço físico intenso, foi a chegada aproximada aos meus limites, mas foi talvez a única forma saudável de combater todos os meus males, abstrair-me de pensamentos negativos e soltar-me da corrente que tenho arrastado comigo todos os dias, onde estão englobados sentimentos nostálgicos, deprimentes e angustiantes. Para ajudar, tenho uma dor de ouvidos gigantesca e não encontro meio disto passar o mais rapidamente possível, são dores insuportáveis. Tenho as pernas doridas e a cabeça em água. O meu corpo não reage, não tenho fome, não tenho nada com que me ocupar e não tenho sequer vontade de ver um filme, nem sequer de terror, dos meus preferidos. Hoje, a caminho de casa implorei para que as minhas pernas aguentassem só até à entrada, só até que metesse a chave à porta e entrasse. Subi as escadas o mais lentamente que poderão imaginar e, cada um dos quinze degraus parecia escapar-se por debaixo dos meus pés, era a moleza, o cansaço, o corpo a fraquejar. Finalmente cheguei, cheguei ao piso de cima e ao dar três ou quatro passos em frente, deixei cair a mão na maçaneta da porta do meu quarto, abrindo-a. Deixei cair no chão o peso que trazia, a mochila da escola, o saco do equipamento e o casaco, e joguei-me, literalmente, para cima da cama.
   Assim fiquei, deitada por cima da cama ainda desfeita, jogada por cima dos lençóis, mantas e cobertores. Não fiz grandes esforços para me descalçar, nem me levantei para o fazer, usei um pé em ajuda do outro e ouvi cair um téni no chão, agora outro. As dores não passaram e o cansaço idem, mas só de sentir que não carregava mais o peso do meu corpo transpirado e esgotado, sabia-me bem. Adormeci. Não por muito tempo, mas deu para recuperar certa parte de mim e dos meus sentidos, embora as dores não tenham desaparecido.
   Apetece-me um segundo banho de água quase a escaldar, um segundo banho de imersão e repetir a minha chegada a casa desta tarde. Queria aproveitar para ler um bocadinho do livro que comecei à poucos dias, "O diário da nossa paixão", mas o meu consciente diz-me que o melhor é despedir-me do computador por hoje, voltar a deitar-me e não me esquecer do despertador para amanhã. Sim! Mais essa, amanhã vou ter que acordar relativamente cedo, apanhar o autocarro até à considerada "grande cidade". Vou às compras, renovar a minha roupa de inverno e comprar umas malhas bem quentinhas. Provavelmente não devo dar noticias durante o fim de semana, vou ficar por lá e só devo voltar no domingo, mas com novidades, espero.
(p.s: desculpem a minha falta de inspiração)

sábado, 27 de outubro de 2012

psychologist

    Como prometido, aqui estou eu.
   Voltei mais aliviada e mais segura, quer de mim mesma, quer das minhas recentes decisões. A consulta correu bem, estava nervosa, a transpirar e tive umas quantas vezes aquele terrível hábito que temos de olhar para cima para conseguirmos conter as lágrimas. A minha mãe entrou comigo nos primeiros cinco minutos para quebrar aquele gelo e aquele clima estranho entre mim e a psicóloga, depois do feito saiu e ficou numa sala à minha espera. Foi quando fiquei sozinha, eu e ela, eu e uma estranha, sentadas frente a frente numa mesinha redonda, de madeira escura. Várias vezes engoli em seco ao olhar-lhe directamente nos olhos e hesitava quase sempre que tinha que falar embora não tivesse obrigatoriamente que responder a nada do que não fizesse parte dos meus planos responder. Nunca tive tempo para pensar muito bem naquilo que iria dizer, queria dar respostas com alguma lógica e que fossem no mínimo aceitáveis, mas não tive tempo para isso e dava por mim a balbuciar as maiores barbaridades alguma vez saídas da minha boca. Mas tirando tudo isso, correu bem, saí conforme entrei, segura de que nada nem ninguém me fariam mudar de ideias, de que nenhum argumento seria tão forte quanto o meu de querer ser livre e um bocadinho mais feliz. E ficou por ali, foi uma conversa agradável e ela perguntou-me se tencionava lá voltar, mas se sim, que fosse ao menos por minha vontade e não condicionada às vontades de outro alguém. O facto é que não sei o que fazer, não sei se volte se não, porque apesar de não ter desgostado dela, também não achei que tivesse tido grande influência sobre mim. Preciso de ajuda, não sei que escolha faça. O que é que vocês acham?

exaltações


   Queridos seguidores, tenho andado ausente mas aqui estou eu, de novo. Sinto-me confusa, distante do mundo e sinceramente isolada num cantinho bem à parte de tudo o resto. Esta semana tem sido desgastante, cansativa e tem-me dado que pensar. Parece que ninguém faz um esforço por aceitar as minhas decisões e tentam a cada oportunidade desviar-me daquele caminho que finalmente decidi percorrer.
   Pior do que sentir o peso do mundo nas minhas costas, são as discussões constantes aqui por casa, isto não anda nada fácil, principalmente com a minha mãe. Os nossos feitios chocam completamente e torna-se impossível manter uma conversa sem que se exaltem as vozes de ambas. Sei que ela anda preocupada comigo, talvez com alguma razão mas isso deixa-me instável, insegura de mim mesma e começo a duvidar das minhas capacidades, começo a achar que se calhar ela tem razão, talvez eu ainda seja uma menina e esteja realmente a cometer um grande erro, mas o que está em causa é a minha felicidade, a minha vida e o meu futuro. Estou disposta a abdicar de tudo, mas claro tenho medo. Sinto-me pequena. Sinto tudo e todos a evaporarem-se da minha vida, sem saber como nem porquê e tenho de tudo um pouco dentro de mim, desde mágoas, a pressões, inseguranças, fragilidades e até uma pitada de felicidade, sim, uma pitada que não se chega a sobrepor a nenhum dos outros sentimentos que rebolam e se manifestam a quaisquer horas dos meus dias, angustiando-me. 
   Amanhã tenho uma consulta com uma psicóloga, não sei como vai correr, não sei sequer o que vou lá fazer, vai ser a minha primeira vez e tenho receio do decorrer da conversa entre as duas. A minha mãe vai comigo, vou por vontade dela, provavelmente ela vai assistir e tenho receio do que vai ser posto em causa. De qualquer forma, amanhã estarei de volta para contar como foi.