sábado, 4 de junho de 2011

que felicidade vire rotina

e se hoje eu tiver acordado e tiver visto o mundo todo do avesso? se me apetecer correr em vez de andar e se me apetecer rir em vez de chorar? se me apetecer andar descalça pela areia e não me apetecer seguir a mesma rotina de andar calçada pelo passeio? se me apetecer abraçar o vento em vez dele me abraçar a mim? se me apetecer ir até à praia recordar tudo o que já vivemos em vez de ficar em casa a olhar as nossas fotografias e a chorar por te querer? se acordei assim, farei tudo desta maneira e não de outra ♥

terça-feira, 31 de maio de 2011

mudanças sublimes

Passam-se um ou dois meses.. um, dois ou três anos.. passa.se muito tempo sem que dêmos conta. Mas ainda assim, continuamos a adiar, a deixar tudo para depois.. para o dia, um dia, talvez sim ou talvez não e os dias acabam por passar e consequentemente os meses e anos também. Tudo passa.. tudo menos a vontade de desejo não cumprido, essa, resiste aos dias que passam e aos dias que não passam, e quando parece já não fazer falta nenhuma, cá está ela para nos fazer lembrar do tempo que adiámos, da chance que perdemos e da sublime mudança que aconteceu sem que nos tenhamos dado conta. Quando as coisas não nos saem da cabeça, o tempo desvanece, perde o seu peso natural e o que já foi há um, dois ou três anos permanece por cá, tal e qual, como se ainda ontem estivéssemos a viver tudo aquilo que adiamos infinitamente.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

delirios

De pés descalços, vagueio pelo chão gelado da casa.. está escuro, oiço lá fora pequenos ruídos e o barulho do vento. Abro com cuidado a porta do meu quarto e, pé ante pé caminho até ás escadas olhando fixamente cada uma delas, a minha mão agarra de leve o corrimão de madeira à minha direita, tento pousar suavemente os meus pés em cada degrau, mas o ranger dos mesmos é inevitável. Desci o penúltimo, o ultimo e agora voltei a pousar o meu pé no chão, senti um arrepio, não era um frio desconfortável, até que conjugava bem com o resto do corpo transpirado.. andei até à cozinha e parei no meio, onde a minha mão não chega até ao interruptor, cerrei os punhos e encostei.me à bancada, estiquei o braço e tentei chegar ao armário dos copos.. tenho uma cede incontrolável, a minha garganta está seca como nunca antes esteve. Sinto uma presença, alguém que provavelmente se encontra aqui a meu lado.. tenho medo de olhar, mas em simultâneo é o que desejo fazer. Não , não posso ceder a tal, não passa de uma mera suspeita, devo estar a delirar, talvez seja melhor sentar.me um pouco.. pousei o copo na bancada e segui até à sala, o meu coração bate aceleradamente, parece ter vontade de saltar para fora do meu peito.. toquei no sofá, contornei-o e sentei-me bem devagar. Baixei a cabeça e encostei-a nos braços, por cima dos joelhos. Aquela sensação não vai embora, não aguento mais, algo não bate certo..